20/03/2011

A alegoria das cavernas, a POESIA numa nova editora

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Esta obra de Alberto Pimenta tem 3 partes:

I Prólogo no Céu
II Acto na Terra
III Epílogo numa Região Intermédia


Primeiros cinco versos da obra:

I
Prólogo no Céu

para aprender
o que é preciso fazer
para salvar a humanidade
eu dou um exemplo
só um e basta

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Últimos cinco versos da obra:

III
Epílogo numa Região Intermédia

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sabemos o que se pode fazer
para salvar a humanidade
importante é só
que cada um não finja que é
aquilo que parece

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Bónus editorial
: DEGRAU (Cuidado) CD de Ana Deus, Alexandre Soares, Pedro Augusto e João Alves, com poemas de Alberto Pimenta.

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Editora MIA SOAVE

25/02/2011

Diurno

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Nocturnos (5)

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Converso comigo mesma. 
Não falo sozinha. Converso.
Como não se encontra mais ninguém na sala, converso com o meu eu.
Também não há espelho. Há escuridão. 

E eu falo, e eu respondo...
Ah, 

há música. 
Hoje, agora,  (Juliette Greco ).
Afinal, não converso só comigo mesma.
Converso com a memória das sensações.
Eis a magia da música que fala de nós, do que fomos e vivemos.
Estão vivas, vivas, as emoções, nas vozes já mudas mas que renascem sempre que as ouvimos.
E a noite que me acordou para conversar comigo mesma, embala-me agora, docemente, nos abraços dos que viveram essas emoções comigo, mas já partiram.

Afinal sempre converso comigo mesma, com Juliette Greco e com a escuridão.
Lá fora, a noite não se vê, embrulhada em diáfano nevoeiro.

Já não converso.
Olho e relembro.



texto e foto de fernanda s.m.


14/02/2011

Eu contarei

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Eu contarei
Eu contarei a beleza das estátuas -
Seus gestos imóveis ordenados e frios -
E falarei do rosto dos navios

Sem que ninguém desvende outros segredos
Que nos meus braços correm como rios
E enchem de sangue a ponta dos meus dedos.


Sophia de Mello Breyner Andresen in No tempo dividido (1954)

foto - de fernanda s. m. - "Algarve"

22/01/2011

Há datas de Amigos que se comemoram. Parabéns.

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propósito
quadriculado será a exaltação de toda a realidade-pensada assente num princípio quaternário de produção artística, como reacção espontânea a um realismo meramente descritivo, falho daquela força interior que leva à universalização dos mitos.

Augusto Mota - Coimbra, 1959
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génese
...E um dedo enorme saiu do vácuo e atravessou o espaço neutro que separava a escuridão do indefinido do plano da realização futura. E o dedo cresceu e o dedo aproximou-se cada vez mais da realização que a si mesmo impôs. A superfície já lá estava. Branca e morta, branca e sem vida. Mas uma luz roxa quebrou o movimento silencioso do dedo enorme que se deslocava no espaço e veio anunciar a vida futura, veio dizer como a cor seria vida e o branco deixaria de ser morte, como o preto era a cor mais garrida e como esse preto era uma mistura de todas as cores.
Foi então que os dois mundos entraram em conflito e com a energia activa de um e a mórbida passividade do outro, um neutro intermediário iniciou a génese do desconhecido ...
O dedo enorme criou um turbilhão de círculos de cores contrárias e decrescentes que se espalhavam pelo horizonte e quase tapavam as montanhas que lá ao fundo o amarelo triste do sol poente fazia realçar. E os círculos em turbilhão moviam-se sem cessar e as cores sucediam-se como fumo ... (...)
in quadriculado, p.5

Quadro de Augusto Mota, «Vórtice, ou a génese do feto nuclear», 30 x 40 cm, óleo sobre cartão, 1958.
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NINGUÉM

Procurei-te
numa noite fria
entre publicidade de neon
gritando produtos conhecidos.

Procurei-te em ruas largas
cheias de montras caras
e de caras enjoadas
de quem não tinha nada que fazer.

Procurei-te em ruas estreitas
cheias de lojas humildes
onde pairava um cheiro a luz
de vendedor ambulante.

Procurei-te em becos
onde silhuetas de amor perturbado
me fizeram regressar
às ruas cheias de montras caras
onde já não havia caras enjoadas
de quem não tinha nada que fazer...

AUGUSTO MOTA, in AINDA - folha de poesia ilustrada - Coimbra, 15 de janeiro de 1958



21/01/2011

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"Bebe-se chá para esquecer o ruído do mundo"


T'ien Yi-Heng, sábio chinês .


01/01/2011

Carta do mar

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Entre anos que chegam e partem, tal como do mar o fluxo e seu refluxo, há um oceano de sentires e de viveres.

Mas entre este bater de vidraças, quem conta as palpitações da alma?

Mar, quem conta as rebentações das tuas ondas, entre uma lua cheia e outra?

Quem?

E sobem da terra lumes de cores violentas e formas estranhas...

O artifício do fogo.
Querem queimar as estrelas porque se sonham mais belos.
Sonho vão e antigo do Homem...

Tudo se desfaz em fumo baço e sujo.

O Mar os engole e continua
namorando as fiéis estrelas.

Tudo fica na mesma.

Daqui, de longe, eu te vejo, Mar.

Daqui, de longe, oiço a rebentação lenta e pacífica das tuas águas
no eterno fluxo e refluxo,
adormecendo a lua...

Até amanhã, meu Amor.


texto e foto de fernanda s.m. - 31 de dezembro de 2010