21/03/2011

A Poesia da primavera [f]

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sentir a flor como carícia deslizando sobre a pele
e o sabor das romãs dissolvendo-se na boca
como se fosse a espuma das águas na quilha do navio


orlando cardoso

foto de fernanda s.m.

A Poesia da primavera [e]

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O rouxinol de Bernardim
era teu ou era meu
quando veio de madrugada
tecer seu canto no muro do jardim?

(...)

No jardim de minha casa
há sempre uma rima de Bernardim
que canta aflita de madrugada,
como se houvesse uma levada
e essa fosse a do teu amor por mim !


José Ribeiro Marto - « Pastoreio »
foto de fernanda s.m.

A Poesia da primavera [d]

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Há uma rapariga de luz
a devastar areia pedra sal
esplendor de excesso que mata

com olhos colhidos
em lugares de madressilva
onde sonhos se cortam
como flores batidas sobre o vento

a enfeitar a tempestade


Graça Magalhães - « Na memória dos pássaros »
foto de fernanda s.m.

A Poesia da primavera [c]

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Primavera

Lá fora o vento e tudo dança.

Em casa luz inocente
da manhã cortina branca
que leve se agita e lenta
é a imagem do silêncio.

Oh minha inóspita primavera,
marulho de choros antigos,
zumbido de moscas gordas
e negras tenteando os vidros.


Soledade Santos - « Sob os teus pés a terra »

foto de fernanda s.m.

A Poesia da primavera [a]

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A primavera abre mil flores num sopro

livre
na flecha e no arco
escolhe o domínio das cores.

de um espelho a outro
multiplica o jogo.


Maria Azenha - « de amor ardem os bosques »

foto de fernanda s.m.

A Poesia da primavera [b]

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Mensageiro do sol

No final de março, um grito de cor dilacera as obscuras entranhas da invernia, irradiando por prados e taludes, à poalha da manhã. Nem grades nem muralhas embargam a emergência destes mensageiros do sol, numa renovada promessa de luz. Acorda a natureza da sua longa apatia, na vitalidade da seiva, e o ar reveste-se de novos e delicados odores. É primavera !



vicejam os prados -
o sol já mandou recado
pelas flores silvestres:

a Primavera chegou
é hora de acordar!



Carlos Alberto Silva - « Murmúr(i)os »

foto de fernanda s.m.

20/03/2011

A alegoria das cavernas, a POESIA numa nova editora

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Esta obra de Alberto Pimenta tem 3 partes:

I Prólogo no Céu
II Acto na Terra
III Epílogo numa Região Intermédia


Primeiros cinco versos da obra:

I
Prólogo no Céu

para aprender
o que é preciso fazer
para salvar a humanidade
eu dou um exemplo
só um e basta

..............................................

Últimos cinco versos da obra:

III
Epílogo numa Região Intermédia

...............................................

sabemos o que se pode fazer
para salvar a humanidade
importante é só
que cada um não finja que é
aquilo que parece

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Bónus editorial
: DEGRAU (Cuidado) CD de Ana Deus, Alexandre Soares, Pedro Augusto e João Alves, com poemas de Alberto Pimenta.

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Editora MIA SOAVE

25/02/2011

Diurno

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Nocturnos (5)

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Converso comigo mesma. 
Não falo sozinha. Converso.
Como não se encontra mais ninguém na sala, converso com o meu eu.
Também não há espelho. Há escuridão. 

E eu falo, e eu respondo...
Ah, 

há música. 
Hoje, agora,  (Juliette Greco ).
Afinal, não converso só comigo mesma.
Converso com a memória das sensações.
Eis a magia da música que fala de nós, do que fomos e vivemos.
Estão vivas, vivas, as emoções, nas vozes já mudas mas que renascem sempre que as ouvimos.
E a noite que me acordou para conversar comigo mesma, embala-me agora, docemente, nos abraços dos que viveram essas emoções comigo, mas já partiram.

Afinal sempre converso comigo mesma, com Juliette Greco e com a escuridão.
Lá fora, a noite não se vê, embrulhada em diáfano nevoeiro.

Já não converso.
Olho e relembro.



texto e foto de fernanda s.m.