06/05/2011

L'aubépine - pilriteiro

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L'aubépine en fleur fut mon premier alphabet.

René Char



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Et l'Homme chantera tout haut cette fois comme
Si la vie était belle et l'aubépine en fleurs

Santa espina
(Deux poèmes d'outre-tombe
Le Crève-Coeur, 1941)

Louis Aragon

27/03/2011

primavera oriental

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É primavera.


No seu coxim reclinada,


Com o alaúde na mão,


Long-Li cantava, inspirada,


Uma lânguida canção.



............... Anoitecera.


Long-Li ergueu-se, e a sorrir


Abriu a sua janela.


Nos céus, trémula, a luzir


Surgiu a primeira estrela.



E branca a lua nascia!


Uma brisa rescende


Levantou o cortinado


De seda azul. De repente,


A um reflexo prateado,



Long-Li empalidecia.


O seu quarto de dormir


Ficou cheio de luar.


Ela deixou de sorrir


E quedou triste, a cismar



............... Recordava:


Fora numa noite assim,


Noite silenciosa e clara,


Que Long-Li atravessara


A ponte do seu jardim ...



Fora numa noite igual,


Que ela, a mais mimosa flor


Do seu jardim oriental,


Entristecera de amor!


E Long-Li chorava ...


Maria Anna Tamagnini - «Lin Tchi Fá » - Flor de Lótus


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Maria Anna de Magalhães Colaço Acciaioli Tamagnini nasceu em Torres Vedras em 1900, vindo a falecer em 1933, pouco antes de completar os 33 anos de idade. Era casada com o então governador de Macau, Artur Tamagnini Barbosa. Deixou muita colaboração dispersa por vários jornais e revistas da época. Esta sua colectânea de poemas, publicada pela primeira vez em 1925 e reeditada pelo Instituto Cultural de Macau em 1991, é agora trazida de novo a público pela Editorial Tágide com o patrocínio exclusivo da Fundação Jorge Álvares, arrancando assim à sombra do olvido uma extraordinária poetisa do orientalismo. ( N. B. do Editor )

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21/03/2011

A Poesia da primavera [f]

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sentir a flor como carícia deslizando sobre a pele
e o sabor das romãs dissolvendo-se na boca
como se fosse a espuma das águas na quilha do navio


orlando cardoso

foto de fernanda s.m.

A Poesia da primavera [e]

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O rouxinol de Bernardim
era teu ou era meu
quando veio de madrugada
tecer seu canto no muro do jardim?

(...)

No jardim de minha casa
há sempre uma rima de Bernardim
que canta aflita de madrugada,
como se houvesse uma levada
e essa fosse a do teu amor por mim !


José Ribeiro Marto - « Pastoreio »
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A Poesia da primavera [d]

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Há uma rapariga de luz
a devastar areia pedra sal
esplendor de excesso que mata

com olhos colhidos
em lugares de madressilva
onde sonhos se cortam
como flores batidas sobre o vento

a enfeitar a tempestade


Graça Magalhães - « Na memória dos pássaros »
foto de fernanda s.m.

A Poesia da primavera [c]

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Primavera

Lá fora o vento e tudo dança.

Em casa luz inocente
da manhã cortina branca
que leve se agita e lenta
é a imagem do silêncio.

Oh minha inóspita primavera,
marulho de choros antigos,
zumbido de moscas gordas
e negras tenteando os vidros.


Soledade Santos - « Sob os teus pés a terra »

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A Poesia da primavera [a]

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A primavera abre mil flores num sopro

livre
na flecha e no arco
escolhe o domínio das cores.

de um espelho a outro
multiplica o jogo.


Maria Azenha - « de amor ardem os bosques »

foto de fernanda s.m.

A Poesia da primavera [b]

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Mensageiro do sol

No final de março, um grito de cor dilacera as obscuras entranhas da invernia, irradiando por prados e taludes, à poalha da manhã. Nem grades nem muralhas embargam a emergência destes mensageiros do sol, numa renovada promessa de luz. Acorda a natureza da sua longa apatia, na vitalidade da seiva, e o ar reveste-se de novos e delicados odores. É primavera !



vicejam os prados -
o sol já mandou recado
pelas flores silvestres:

a Primavera chegou
é hora de acordar!



Carlos Alberto Silva - « Murmúr(i)os »

foto de fernanda s.m.