01/01/2011

Carta do mar

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Entre anos que chegam e partem, tal como do mar o fluxo e seu refluxo, há um oceano de sentires e de viveres.

Mas entre este bater de vidraças, quem conta as palpitações da alma?

Mar, quem conta as rebentações das tuas ondas, entre uma lua cheia e outra?

Quem?

E sobem da terra lumes de cores violentas e formas estranhas...

O artifício do fogo.
Querem queimar as estrelas porque se sonham mais belos.
Sonho vão e antigo do Homem...

Tudo se desfaz em fumo baço e sujo.

O Mar os engole e continua
namorando as fiéis estrelas.

Tudo fica na mesma.

Daqui, de longe, eu te vejo, Mar.

Daqui, de longe, oiço a rebentação lenta e pacífica das tuas águas
no eterno fluxo e refluxo,
adormecendo a lua...

Até amanhã, meu Amor.


texto e foto de fernanda s.m. - 31 de dezembro de 2010

4 comentários:

Augusto Mota disse...

Para singrarmos no Mar da Vida precisamos de uma exacta carta de marear, não daquelas que os mestres genoveses por cá nos ensinaram a fabricar, mas, outrossim, das que a nossa própria experiência de vida nos vai ensinando a decifrar e que alguém desenhou sem nosso consentimento.
Um abraço de coragem neste dia primeiro de mais um ano, que, parece, se vai esconder (dizem as actuais cartas de marear!) atrás de contra-correntes e escolhos traiçoeiros! Será que nem o farol de S. Pedro de Moel, no poético Penedo da Saudade, nos iluminará as dificuldades da travessia?!...

fernanda s. monteiro disse...

Estava impávido e sereno,hoje, esse farol de Moel, indiferente ao "deixa andar" de muitos que por lá passavam... Falsamente calmo, o mar, que bem ouvi o seu bramir de raiva(ou de aviso?) nas rochas baixas do Penedo da Saudade...

antonio disse...

Um belo poema, Fernanda ! *

Tenha um Novo Ano muito Feliz !***

Abraço

fernanda s. monteiro disse...

Obrigada, António! E que consigamos singrar a todo o pano contra os Adamastores que se vislumbram neste mar..
Um abraço.