22/05/2008

Rio sou...





____________ Para o meu neto Vasco, no dia do seu 16.º aniversário.



Olho as águas que passam e é a mim que vejo.

Venho escorrendo já de montante, numa lassidão fatigada, cumprindo o destino de chegar à foz, também eu ...

As águas que encontro agora, límpidas ou não, marulhando suavemente ou caindo em cachão dos açudes, são a minha vida.

Caminho pelas margens deste Lis que tão cantado foi outrora.

Suas águas, hoje, não correm.

Passam.

Passam, no seu remanso, mas não páram.

Essas águas sois vós, também, meus queridos, que passais.

Agora,

mansamente brincando com os ramos caídos,

saltitando nas pedras,

brincando com os patos...

E nas saudades vossas,

que sinto já,

misturam-se as saudades daquelas outras águas

que correram cedo para jusante,

as infâncias de outras crianças,

que a adultos chegaram rápido...

*****

Já não vos acompanho.

Fico na margem, talvez feliz, vendo-vos passar...

Depois,

mais tarde,

irei esperar-vos,

sentada numa rocha, na foz, olhando o

Mar,

nossa origem e nosso destino.


*****

texto e foto : fernanda s.m. - 22 de Maio de 2008

8 comentários:

Rosa disse...

Parabéns então para o seu vasco que foi o 1ºneto que embalou nos seus braços.
Lindo poema...

fernanda s.m. disse...

Pois foi... o primeiro de oito... É um sentimento muito forte que nos une. Foi um dia agradável e calmo, finalmente.
Obrigada e beijinhos.

gabriela r martins disse...

abrem-se de par em par as pálpebras dos
poemas

por sussurrar


re escrevo ao lê.la ,minha amiga


.
um beijo ,Fernanda

Ana Ramon disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Ana Ramon disse...

Parabéns à avó babosa :))
Quanto ao neto deve ficar muito emocionado com tão belo poema.
Beijinhos

map disse...

Então o Vasco já tem 16 anos?
E que lindo presente teve da avó!
Parabéns aos dois.
Um beijo

antonio disse...

Belo, sentido e tocante!

Gostei muito,
"vóvó" Fernanda!

Abraço

Isabel Soares disse...

Lindo poema, para o Vasco. Tenho a certeza que nunca o esquecerá e vai lê-lo muitas vezes, pela vida fora, sempre que se lembrar da avó.
Beijinho