2 de Nov de 2009

In Memoriam

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Pediste-me, um dia, amiga, que te desse um sorriso do fundo da minha tristeza.
Pretendias, assim, amenizar minha dor, mas não consegui dar-te, então, o sorriso que me pedias.

Hoje, do fundo da saudade que deixaste, envio-te o sagrado sorriso da Amizade.

Olha o mar. Vê como as águas se movimentam, inquietas.

Sorri tu, agora, amiga, para mim, de onde estiveres, para me confirmares que é sossego o que sentes.

E eu olharei as águas do mar. Verei que, afinal, não é a inquietação que as agita.


texto e foto de fernanda s.m.

10 de Out de 2009

EKPHRASIS

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poço alentejano transmudado

4 de Out de 2009

Korean Songs - O meu coração

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O MEU CORAÇÃO
(poema musical que descreve um amor não correspondido)


O meu coração é um lago, meu amor,
vem remar sobre ele.
Despedaçar-me-ei contra o teu barco como uma
pedra de jade contra a tua sombra branca.


O meu coração é uma vela, meu amor;
fecha a porta, por favor.
Arderei tranquilamente até ao fim
sem que uma única lágrima trema e caia
sobre a tua saia de seda.


O meu coração é um vagabundo, meu amor;
por favor, toca flauta.
Ficarei tranquilamente toda a noite
a ouvir-te tocá-la sob a lua.


O meu coração é uma folha caída, meu amor,
permite-me que fique um pouco no teu jardim.
Quando o vento soprar, deixar-te-ei,
e serei de novo um vagabundo solitário.


"Versão livre a partir do texto em francês de: Dong-Myung Kim, musicado por Dong-Jin Kim".


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22 de Set de 2009

Sonata de Outono

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Num presbitério de província, Eva escreve uma carta à sua mãe, Charlotte, uma pianista profissional que não vê há sete anos. A mãe chega e, após os primeiros momentos de afectividade, o encontro das duas mulheres muda de tom. Eva e Charlotte começam por discutir sobre a presença de Helene, a irmã mais nova e doente de Eva, que Charlotte não esperava encontrar em casa da filha. Depois, ao piano, mãe e filha voltam a confrontar-se sobre um prelúdio de Chopin, onde a mãe impõe a sua superioridade e virtuosismo. Eva lança-lhe várias acusações e Charlotte toma, inesperadamente, consciência da sua incapacidade afectiva em relação às filhas.
Com "Sonata de Outono" o mestre Bergman regressa a temas dominantes na sua obra, como é o caso dos dolorosos confrontos no feminino. Neste caso, entre uma mãe e uma filha que se envolvem numa longa noite de acusações, revelações e amargura. Uma noite de insónias que explode num turbilhão de amor, ódio, desprezo e ternura. Uma longa noite de ajuste de contas emocional que Bergman filma com sufocante rigor, a que a violência verbal acrescenta um estranho e fascinante suspense. Uma admirável realização de Bergman que volta a deter-se no rosto, no olhar e nos gestos de duas mulheres, juntas numa longa jornada através da noite, através da alma e sobre as suas amargas memórias. Tudo isto, servido pela magistral fotografia de Sven Nykvist e, sobretudo, pelo histórico encontro do mais célebre cineasta sueco de sempre com a maior vedeta sueca de todos os tempos, que voltava a representar na sua língua materna pela primeira vez em quarenta anos. Bergman dirigindo Bergman e Liv Ullmann num portentoso desafio de representação.

in - http://tv1.rtp.pt/programas-rtp/index.php?p_id=5307&e_id=&c_id=3&dif=tv

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http://ternaeanoite.blogs.sapo.pt/arquivo/194025.html

http://maisumblogbesta.blogspot.com/2009/03/sonata-de-outono-analise.html

http://www.culturadebolso.org/sonata-de-outono/

http://www.65anosdecinema.pro.br/Sonata_de_outono.htm

http://absurdo.wordpress.com/2007/11/06/sonata-de-outono/

14 de Set de 2009

Vive la rentrée - Chagrin d' école ( §)


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( Irlanda, 2008: alunos de uma escola, a caminho de uma sessão "à antiga", com a professora que me explicou o porquê dos fatos "domingueiros" ) (*)

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« Anuncio a Bernard que tenciono escrever um livro tendo como tema a escola, não a escola que muda na sociedade que muda (...) mas, no cerne desta incessante agitação, sobre o que não muda, justamente, sobre uma permanência sobre a qual nunca ouço falar: a dor partilhada entre o cábula, os pais e os professores, a interacção entre estas mágoas da escola.

( Israel - alunos dirigindo-se para uma escola só de rapazes ) [*
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_ Mais um livro sobre a escola, então ? Não te parece que já há muitos ?
_ Não é sobre a escola! Toda a gente se preocupa com a escola, eterna querela entre os antigos e os modernos: os programas, o seu papel social, as suas finalidades, a escola de ontem, a de amanhã...Não, um livro sobre os cábulas ! Sobre a dor de não compreender, e os seus danos colaterais

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De facto. Eu não decorava, como hoje dizem os jovens. Não compreendia nem decorava. As palvras mais simples perdiam substância logo que me pediam que as encarasse como objecto de conhecimento.

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Ah! Terríveis sentinelas, as maiúsculas ! Parecia-me que se introduziam entre mim e os nomes próprios para me impedirem de me aproximar. toda a palvra iniciada por uma maiúscula estava condenada ao esquecimento instantâneo: cidades, rios, batalhas, heróis, tratados, poetas, galáxicas, teoremas, interdição de memória em virtude de maiúscula aterradora. Alto lá, exclamava a primeira letra, não se entra pela porta deste nome, é demasiado próprio, não és digno dele, és um cretino !

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(*)

_ Em suma, inventavas histórias.


Sim, é próprio dos cábulas, repetem à exaustão a história da sua cabulice. sou um zero, nunca conseguirei, nem vale a pena tentar, estou antecipadamente tramado, eu bem vos dizia, a escola não foi feita para mim... A escola afigura-se-lhes um clube muito fechado no qual se recusam a entrar. Com a ajuda de alguns professores, às vezes.


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§ - Daniel Pennac - in « Chagrin d'école » - Mágoa da escola - Porto Editora.


fotos: fernanda s.m.



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