02/06/2012

Da ternura

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No fundo da ternura há um som de lágrimas -
água clara onde o sol do entardecer
odoroso se deteve;
vem das lembranças, cristais de sal,
chispas na pele esfolada pelos jogos
infantis e as perdas
de que a vida nos preencheu os dias.
Companheira amável do desencanto,
outra forma afinal de dizer mágoa.



Soledade Santos in  « Sob os teus pés a terra » - Artefacto

foto de autor desconhecido

4 comentários:

Isabel Soares disse...

Esforço-me, titanicamente, para não olhar para trás. Não quero sentir o peso de certas opções, porque inalteráveis, o engano do mundo e a leveza de uma vida que será sempre de tão poucos dias. Não quero ter pena da minha brevidade.

Reinventei a ternura na esperança com que ainda olho o futuro.

fernanda s. monteiro disse...

E faz bem, Isabel ! Mas há manhãs de chuva como hoje em que as lembranças de um passado até são risonhas e trazem o perfume da felicidade. Olhar muito para o presente pode cansar os olhos. O presente já chega. Bom domingo de Camões !. Bjs e obrigada pela passagem.

Luísa disse...

Venho recomendada por alguém que ambas amamos muito!
Muito obrigada pela partilha desta estrela, na mais bela constelação: a da escrita com alma!
Beijinhos mil

fernanda s. monteiro disse...

Luísa, é um prazer recebê-la nesta nossa "estrela-da-madrugada", lugar de agregação familiar, primeiro, e agora também da amizade. Espero não desiludi-la, mas como a minha alma é "boémia" não sou assídua a publicar e menos ainda a escrever... É um "vague à l'âme" que me serve de calmaria.Apareça sempre.
Abraço forte.