25/07/2011

A sesta - (a arte de dormir a sesta)

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    Cartão para tapeçaria, de Augusto Mota, 1961


Se tem muito que fazer, faça uma sesta - apenas de dez minutos. Por mais ridículo que possa parecer, deixar-se cair da beira da consciência é, frequentemente, a melhor maneira de recuperar o tempo extra de que necessita para cumprir um prazo.
Refugiar-se num leve cobertor de sono a meio de um dia atarefado não é muito diferente de escavar um túnel de fuga que passe sob horários de trabalho impossíveis, agendas sobrepostas e dores de cabeça programadas, e que lhe permita emergir alguns minutos depois com um olhar fresco para a vida.
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A vontade de se aninhar ao início da tarde constitui um sinal de alerta de que lhe está a faltar bom senso ou discernimento.
( .....)
Num lugar povoado de insonio-maníacos, quem dorme a sesta parecerá sempre suspeito.
Nos países latinos passa-se o oposto. Quem não faz sesta é considerado esquisito.
(.....)
Mesmo antes de se render, admita: um pequeno toque de culpabilidade até acrescenta sabor ao fascínio dos Zzzzz diurnos.


in,« A Arte de Não Fazer Nada » de Véronique Vienne,com fotografias de Erica Lennard, da Sinais de Fogo.

3 comentários:

catrineta disse...

Olá Fernanda
Uma boa ideia, porque a "época da sesta" já começou, apesar do verão envergonhado.
Basta descansar um pouco e ficamos como novos.
Beijos
Rosa

fernanda s. monteiro disse...

Pois é! Eu adiro a este descanso, sobretudo no verão. Curto descanso da mente e do corpo que nos deixa com maior acuidade para o resto do dia.

Rui Pascoal disse...

Hoje não deu, quem sabe se amanhã não aceito a sugestão?
(Bonita também a ilustração).