26/06/2012

quando, minha luminosa

*



quando, minha luminosa, deitado penso em ti
e a teu lado bebo as sombras que te pousam na pele,
apenas a harmonia se respira
da tua testa pousada no meu peito, das tuas mãos presas às minhas.
a noite avança e eu a medo toco o teu cabelo.
o silêncio tem a paz de um olival e dos nossos passeios no alentejo,
o meu amor é como a lua a aflorar-te a face adormecida,
o meu amor é esta e todas as noites, um sobressalto de
estrelas benfazejas,
uma espuma serena em que repouses, uma corrente em que nades de alegria,
uma vide a entrelaçar-te, ó minha luminosa, uma concha de ternura que te guarde.
uma espécie de música que vá vibrando em ti.


Vasco Graça Moura - in "currente calamo" (Poesia 2001/2005)
foto de fernanda s.m. - "Oliveiras- Alentejo"

4 comentários:

rosa maria disse...

As oliveiras dos seus encantos.
Tenho aqui uma, que me ofereceu, que já está a dar fruto!
Poema belo como a gloriosa oliveira,doce e prateada.
Um abraço
Rosa

Graça Pereira disse...

Belissimo poema! Que encanto terão as oliveiras (também tenho uma...) que nos transportam para outro mundo?
Gostei do espaço e porque não descansar à sombra das oliveiras?
Um abraço.
Graça

fernanda s. monteiro disse...

Olá, Rosa. Obrigada pela visita e palavras deixadas. Gosto da poesia de Vasco Graça Moura e penso que não é muito divulgada.

fernanda s. monteiro disse...

Obrigada, Graça, pela empatia. Ainda bem que gostou do poema. Vale a pena ler Vasco da Graça Moura.
Gostei da sua determinação sobre escrever um livro e...força !