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21/03/2010

Primavera, Árvore e Poesia ( o Dia )

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Balada para los Poetas Andaluces de Hoy - (Rafael Alberti)


¿Qué cantan los poetas andaluces de ahora?
¿Qué miran los poetas andaluces de ahora?
¿Qué sienten los poetas andaluces de ahora?
Cantan con voz de hombre,
¿pero dónde los hombres?
con ojos de hombre miran,
¿pero dónde los hombres?
con pecho de hombre sienten,
¿pero dónde los hombres?
Cantan, y cuando cantan parece que están solos.
Miran, y cuando miran parece que están solos.
Sienten, y cuando sienten parecen que están solos.
¿Es que ya Andalucía se ha quedado sin nadie?
¿Es que acaso en los montes andaluces no hay nadie?
¿Que en los mares y campos andaluces no hay nadie?
¿No habrá ya quien responda a la voz del poeta?
¿Quién mire al corazón sin muros del poeta?
¿Tantas cosas han muerto que no hay más que el poeta?
Cantad alto. Oiréis que oyen otros oídos.
Mirad alto. Veréis que miran otros ojos.
Latid alto. Sabréis que palpita otra sangre.
No es más hondo el poeta en su oscuro subsuelo.
encerrado. Su canto asciende a más profundo
cuando, abierto en el aire,
ya es de todos los hombres

Música: Manolo Diaz - Aguaviva (banda)




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Olhos postos na terra, tu virás
no ritmo da própria primavera,
e como as flores e os animais
abrirás as mãos de quem te espera.


Eugénio de Andrade
foto de fernanda s.m.

A Primavera e os trovadores

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Proençaes soen mui ben trobar
e dizen eles que é con amor;
mais os que troban no tempo da frol
e non en outro, sei eu ben que non
an tan gran coita no seu coraçon
qual m'eu por mha senhor vejo levar.
Pero que troban e saben loar
sas senhores o mais e o melhor
que eles poden, soõ sabedor
que os que troban quand'a frol sazon
á, e non ante, se Deus mi perdon,
non an tal coita qual eu ei sen par.
Ca os que troban e que s'alegrar
van eno tempo que ten a color
a frol consigu', e, tanto que se for
aquel tempo, logu'en trobar razon
non an, non viven [en] qual perdiçon
oj'eu vivo, que pois m'á-de matar.



El-Rei D. Dinis, CV 127, CBN 489

21/03/2009

A Primavera, a « frol», e a Poesia

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Proençaes soen mui ben trobar
e dizen eles que é con amor;
mais os que troban no tempo da frol
e non en outro, sei eu ben que non
an tan gran coita no seu coraçon
qual m'eu por mha senhor vejo levar.
Pero que troban e saben loar
sas senhores o mais e o melhor
que eles poden, soõ sabedor
que os que troban quand'a frol sazon
á, e non ante, se Deus mi perdon,
non an tal coita qual eu ei sen par.
Ca os que troban e que s'alegrar
van eno tempo que ten a color
a frol consigu', e, tanto que se for
aquel tempo, logu'en trobar razon
non an, non viven [en] qual perdiçon
oj'eu vivo, que pois m'á-de matar.



El-Rei D. Dinis, CV 127, CBN 489

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Primavera

As heras de outras eras água pedra
E passa devagar memória antiga
Com brisa madressilva e primavera
E o desejo da jovem noite nua
Música passando pelas veias
E a sombra da folhagem nas paredes
Descalço o passo sobre os musgos verdes
E a noite transparente e distraída
Com seu sabor de rosa densa e breve
Onde me lembro amor de ter morrido
- Sangue feroz do tempo possuído

Sophia de Mello Breyner Andresen

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Estes dias de primavera deixaram-me irrequieto.
Encheram-me de ansiedade por algo que me é desconhecido.
Queria poder andar pelos campos e crescer com as flores ...


Kahlil Gibran

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Olhos postos na terra, tu virás
no ritmo da própria primavera,
e como as flores e os animais
abrirás as mãos de quem te espera
.

Eugénio de Andrade

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ANUNCIAÇÃO

Surdo murmúrio do rio,
a deslizar, pausado, na planura.
Mensageiro moroso
dum recado comprido,
di-lo sem pressa ao alarmado ouvido
dos salgueirais:
a neve derreteu
nos píncaros da serra;
o gado berra
dentro dos currais,
a lembrar aos zagais
o fim do cativeiro;
anda no ar um perfumado cheiro
a terra revolvida;
o vento emudeceu;
o sol desceu;
a primavera vai chegar, florida.


Miguel Torga

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Canção da Primavera


(Para Érico Veríssimo)


Primavera cruza o rio
Cruza o sonho que tu sonhas.
Na cidade adormecida
Primavera vem chegando.

Catavento enloqueceu,
Ficou girando, girando.
Em torno do catavento
Dancemos todos em bando.

Dancemos todos, dancemos,
Amadas, Mortos, Amigos,
Dancemos todos até

Não mais saber-se o motivo…
Até que as paineiras tenham
Por sobre os muros florido!

Mário Quintana

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Dia de primavera —
Os pardais no jardim
Tomam banho de areia.

Onitsura


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Já é primavera —
Uma colina sem nome
Sob a névoa da manhã.

Bashô


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Mar de primavera —
O dia todo,
Ondula, ondula ...

Buson

*
Ah, o rouxinol!
De novo ele tenta
E tenta de novo.

Chiyo-jo

A Primavera e a Poesia

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19/03/2009

Primavera florida

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Quem pode impedir a Primavera

Se as árvores se vão cobrir de flores

E o homem se sentiu sorrir à Vida?


Quem pode impedir a surda guerra

Que vai nos campos deslocando as pedras

– Mudas comparsas no ritmo das estações –

E da terra inerte ergueu milhares de lanças

Que a tremer avançam, cintilantes, para o limite

Em que a luz aquosa se derrama

Como um mar infindo onde o arado

Abre caminhos misteriosos à seiva inquieta!


Quem pode impedir a Primavera

Se estamos em Maio e uma ternura

Nos faz abrir a porta aos viandantes

E o amor se abriga em cada um dos nossos gestos!


Quem?...

Se os sonhos maus do Inverno dão lugar à Primavera!



***
Ruy Cinatti, - “Quem pode impedir a Primavera”




( recebido, esta tarde, por mail amigo da Eli a quem agradeço com um abraço.)